sábado, 27 de dezembro de 2008

"É tudo tão bonito que me dói e me pesa. Fico pensando que nunca mais vai se repetir, é só uma vez, a única, e vai me magoar sempre. Não sei, não quero pensar. Neste espaço branco de madrugada e lua cheia, preciso falar, e mais do que falar, preciso dizer. Mas as palavras não dizem tudo, não dizem nada. O momento me esmaga por dentro. O espanto esbarra em paredes pedindo exteriorização."

[Caio F. Abreu]

sábado, 29 de novembro de 2008

"Mas há a vida que é para ser intensamente vivida, há o amor.Que tem que ser vivido até a última gota.Sem nenhum medo. Não mata."

[Clarisse Lispector]

terça-feira, 25 de novembro de 2008

depois da tempestade...

Há muitas coisas acontecendo aqui dentro, como se fosse um balde de tinta azul sendo despejado sobre minha cabeça. Os ensinamentos dos últimos dias foram muito fortes e me fizeram entender coisas que ainda me davam medo, coisas que já não pertenciam a mim mas insistiam em ficar grudadas, coisas que me sugavam, que me faziam mal, que tapavam meus olhos... a terra levou tudo. O contato com a natureza, a abertura para novos horizontes, o pé na terra vermelha, tudo isso fez de mim uma nova Amanda. Pude perceber que sentimentos não vão embora se você não quiser expulsá-los, que não se pode entender uma alma baseando apenas no conhecido, que há muito a aprender, mas também bastante a ensinar. Percebi que o seu limite é você quem faz e que sempre vão dizer que você não consegue. Aos olhos dos outros somos só mais um, mas nossa alma pôde saber que somos diferentes.

"É preciso se libertar do velho para que o novo possa chegar."

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Da nova janela eu vejo a lua e posso vê-la sorrindo pra mim.
Sim, ela está feliz. E eu também.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

sonhos

Sonhei com um apartamento. No trigésimo andar, com sacada, não era nada demais, mas era meu. Era dos meus sonhos. E o quartinho, assim, quartinho era aquele que teria tapetes coloridos, luminárias e incensos, que teria um sofá pros amigos, quartinho era aquele que não era do casal. O outro quarto teria estrelas coladas no teto que significariam muito, é, eu adoro colar estrelas no teto e observá-las. Lá tinha ar de amor, que só quem vivesse aquilo poderia saber como é. O sonho acabou e eu acordei com a cabeça pesada de uma ressaca.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

"Talvez um voltasse, talvez o outro fosse. Talvez um viajasse, talvez outro fugisse. Talvez trocassem cartas, telefonemas noturnos, dominicais, cristais e contas por sedex (...) talvez ficassem curados, ao mesmo tempo ou não. Talvez algum partisse, outro ficasse. Talvez um perdesse peso, o outro ficasse cego. Talvez não se vissem nunca mais, com olhos daqui pelo menos, talvez enlouquecessem de amor e mudassem um para a cidade do outro, ou viajassem junto para Paris (...) talvez um se matasse, o outro negativasse. Seqüestrados por um OVNI, mortos por bala perdida, quem sabe. Talvez tudo, talvez nada."

É só uma falta daquilo que faz parte de mim.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

um dia estranho

O fim da tarde foi gostoso, depois de chegar atrasada na aula e descobrir que não poderia entrar resolvi sentar no velho banco da praça. O velho lugar, as velhas árvores, os cachorros, o vento, a feira... E a sensação foi: nada daquilo me pertence mais. Não poderia não ligar pro meu companheiro de praça pra dividir isso e logo o abraço curto pra não sufocar chegou. Foi ótimo, sim. Mas nada daquilo me pertence mais.

domingo, 12 de outubro de 2008

"O afogado"

"Mas não é verdade que nunca tivesses suspeitado desta tarde e desta fome: não é verdade que por um momento sequer tivesses tentado fugir à tua trágica determinação: não é verdade que alguma vez tivesses sequer pensado numa possibilidade de salvação: sabias desde o começo da consistência ácida do que tecias, e no entanto persistias nela, como quem penetra num beco sem saída, caminhando pela estreita dimensão que sabias desde sempre, intransponível: sim, tu sabias deste momento a construir-se desde o começo, e não fizeste nenhuma tentativa de evitá-lo: agora é necessário que enfrentes: embora talvez não soubesses do depois deste momento que se faz agora e portanto não possas estar preparado para o próximo momento: mas deste sabes: tudo se encaminhou para ele, e já não podes fazer mais nada, a não ser enfrentá-lo: tens ainda o que convencionaste chamar força: tens ainda todas as partículas de tua determinação: tens ainda a tua integridade, embora saibas que ela pode te destruir: pois então toma dessa fibra que a si mesma se construiu em solidão sob teu olhar espantando e impassível: toma dessa fibra feita de algo tão denso quanto o ódio: toma do teu ódio: agora enfrenta."

[O ovo apunhalado - C.F.A.]

domingo, 5 de outubro de 2008

Domingo

As coisas se transformam, mesmo.
Hoje acordei cedo, com um sol tímido no rosto vindo da nova janela. Acordei sem mau-humor, sem querer saber que horas eram, com um sorriso recebido, com vontade de tomar água de côco na feirinha e até uma súbita vontade de aprender a andar de bicicleta.
Não aprendi a andar de bicicleta, nem tomei a água de côco, mas dei boas risadas tomando um café do feirante engraçado e indo votar, anulando o voto porque ainda não conto tanto assim com a memória e consegui esquecer o número do candidato!

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

sonhos

Lembrei de um sonho bonito, noite passada.
Era colorido, cheio de sorriso, cheio de felicidade.
Mas era um sonho e eu acordei com um tu-tu-tu me dizendo que precisava pular da cama.