segunda-feira, 28 de julho de 2008

garrafas

Há coisas com as quais ainda não sei lidar. Não sei se isso depende da idade, da fase, da maneira que se encara, não sei. O que sei é que busco a Amanda dentro de mim, busco o equilíbrio, a felicidade e ainda mais a serenidade. As garrafas de vinho invadem meu corpo, tomam conta da minha alma. As garrafas vazias, castiçais. As cheias, pensamentos.
Por alguns dias pensei que estivesse louca, paranóica, totalmente fora de mim. Mas aí percebi que isso é o que os outros dizem, que se olhar pra dentro, não estava nada além de perdida. Não que estar perdida seja bom, mas ao menos é melhor que estar louca.
Não estou louca, não estou sã, não estou.

Estava.
Estive.
Estou.
Estarei.


"Out across the endless sea
I would die in ecstasy
But I'll be a bag of bones
Driving down the road alone
My heart is drenched in wine"

segunda-feira, 21 de julho de 2008

desejos e shakespeare

Procuro dentro de mim a consciência de me conformar com aquilo que sou. Sonhar que gostaria de ser outra pessoa, conhecer uma magia que troque almas de corpos, desejar ser mais, desejar não ser nada, desejar ser aquilo que nunca serei, de tudo isso eu cansei. Procuro um ponto de equilíbrio que me faça saber quem eu sou e pra onde tenho que ir. Desejo, apenas, que eu deseje o que posso desejar. E isso não significa diminuir a capacidade, é só diminuir a possibilidade de fracassar.

"Depois de algum tempo, você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la, por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobre que se levam anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.
Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos. Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser. Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve. Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.
Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.
Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama, contudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.
Portanto... plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!"

[Shakespeare]

viagem, nem que seja astral

"saiu pra viajar ou tem alguém aí?
eu saí pra viajar e fui longe daqui..."

segunda-feira, 14 de julho de 2008

oi?

eu já me senti uma borboleta. já me senti sendo um, mesmo sendo dois, já me senti uma boneca, um vagalume, um vaso de flor, uma formiguinha, um monstro, o escuro, o sol, o vazio, o cheio. o abismo logo em frente, a vontade grande, a falta de explicação maior ainda. e quando pisco surge a vida de dentro pra fora, surge a vontade, surge um tapa na cara, uma lição, um "hello, anybody in home?", ou até o "quiéquesepenstáfazeno?". e me sinto humana. então logo me sinto morta, perdida pra sempre.

domingo, 6 de julho de 2008

solidão, que nada.

Sinto vontade de esquecer. Não exatamente esquecer quem eu sou, a vontade é esquecer coisas e pessoas inúteis. Quero esquecer tudo que me fez chorar nessa vida, quero esquecer que eu pensei que lembraria de algumas coisas e esquecer que um dia eu disse que seria sempre igual. Nada é sempre igual, mas pode ser melhor. É aí que se deve lutar, as coisas que nunca vão ser iguais, não vão ser, mas melhores, quem sabe. Abandonar o passado é quase uma ótima lição de desapego, calma, as palavras estão saindo desconexas e o que eu quero mesmo dizer é algo como desista desse poço fundo aí, vai dar trabalho voltar quando não houver mais nada. Volta que há tempo, os deuses do tempo me disseram que se eu fosse rápida e se tivesse certeza era pra ir em frente que eu não enxergaria mais aquele muro de pedra, tão difícil de pular pelo meu sedentarismo. E essa preguiça que um dia já foi mais constante. Aliás, você percebe como eu me livrei da preguiça? Agora prefiro ficar acordada fazendo umas colagens ou fazendo um cafuné pra alguém ter um sonho bom, tanto faz, o que importa mesmo é que eliminando minha preguiça eu consigo fazer mais coisas e tenho mais tempo de planejar meu próximo passo pra fazer minha existência ser maravilhosa. Quem quiser, vem - que pode ganhar muitos cafunés e rir junto comigo do meu sorriso arrancado sem força, quase um (re)nascimento.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

desapego

Hoje, enquanto eu voltava do trabalho, pensei porque nós, seres humanos, temos tanta dificuldade em praticar desapego. Isso é meu. Aquilo também é meu. Mas o mundo é meu se eu quiser, que diferença faz? Nem eu sei mais.
Com essa ideía de mudar de casa, tenho me sentido bem em arrumar meu guarda-roupas e me livrar das coisas velhas, isso dá um prazer enorme, queria poder tirar coisas todos os dias só pra aprender um pouquinho da lição do desapego.
É preciso se livrar do velho pra que o novo possa chegar.