segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

E eu olhei pela janela agora a noite, tava tudo tão triste, tão deserto, tão escuro, tão molhado, parecendo lágrimas sobre o asfalto. Então me veio aquela espécie de vazio, uma falta de si mesmo, uma falta de sentimento, de pensamento, de cores, de sons. Apreciei aquele silêncio confuso por alguns instantes e percebi que aquela falta de mim não me cabia hoje - não hoje.
"- Quando a noite chegar cedo e a neve cobrir as ruas, ficarei o dia inteiro na cama pensando em dormir com você.
- Quando estiver muito quente, me dará uma moleza de balançar devagarinho na rede pensando em dormir com você.
- Vou te escrever carta e não mandar.
- Vou tentar recompor teu rosto sem conseguir.
- Vou ver Júpiter e me lembrar de você.
- Vou ver Saturno e me lembrar de você.
- Daqui há vinte anos voltarão a se encontrar.
- O tempo não existe.
- O tempo existe, sim, e devora."

[Caio F. - pra variar.]